sábado, março 7, 2026
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Por que mortes violentas cresceram em Ceará, Maranhão, Minas Gerais e São Paulo em 2024

Ceará, Maranhão, Minas Gerais e São Paulo são os estados que tiveram piora na taxa de mortes violentas a cada 100 mil habitantes em 2024, segundo os dados do Anuário da Segurança, divulgado na quarta-feira (24) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Esses aumentos fizeram com que Ceará, Maranhão e Minas Gerais piorassem no ranking de estados mais violentos do país.

  • O Ceará era 5º mais violento em 2023. Agora, é o 3º.
  • O Maranhão era o 12º, passou a 6º mais violento.
  • Minas Gerais era o 24º mais violento; passou a 23º.
  • São Paulo permanece em 27º – o menos violento, portanto – mas, agora, com uma taxa mais parecida com a de Santa Catarina.

Veja por que as mortes violentas cresceram nesses quatro estados

Ceará teve 308 assassinatos, três policiais mortos e 45 mortes cometidas por policiais a mais em 2024, em comparação com 2023. Disputas entre facções são o principal fator da alta, segundo a pesquisadora do Fórum Samira Bueno (leia mais detalhes abaixo). O governo Elmano de Freitas (PT) diz que faz os investimentos necessários e que aumentou a presença policial nas ruas).

Minas Gerais teve mais 164 assassinatos, duas mortes de policiais e 63 mortes pela polícia na comparação com 2023. No estado, o Fórum destaca o crescimento da violência policial e o atribui à morte de um agente. O governo Romeu Zema (Novo) diz que em 2025, os crimes violentos têm diminuído.

No Maranhão, foram mais 218 assassinatos 14 mortes cometidas por policiais a mais entre 2023 e 2024. Houve uma morte de policial a menos. O Fórum também atribui a alta a facções criminosas. O governo Carlos Brandão (PSB) diz que, em 2025, os assassinatos têm caído.

São Paulo teve queda nos assassinatos – foram 98 a menos em 2024 – mas, as mortes pela polícia dispararam: foram 309 a mais. Houve também mais três mortes de policiais. O estado foi o que teve a maior alta na letalidade policial. O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) diz que a violência policial diminuiu em 2025, e que todos os casos são investigados.

Veja, abaixo, a análise do Fórum sobre cada um desses estados, e as respostas completas dos governos estaduais.

Infográfico - Ranking de violência nos estados em 2024 — Foto: Arte/g1

Infográfico – Ranking de violência nos estados em 2024 — Foto: Arte/g1

Dinâmicas específicas em cada estado

Segundo Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança, algumas particularidades explicam o crescimento das mortes violentas nestes estados.

Além do aumento das mortes por policiais em SP, que pesaram no total de mortes violentas, a pesquisadora destaca uma mudança histórica desses casos em MG e os conflitos de facções no Ceará e no Maranhão.

Veja as explicações abaixo:

São Paulo

“O que efetivamente impulsiona o aumento das mortes são as mortes por intervenção policial porque a gente está falando de 300 vítimas a mais de um ano para o outro. Isso pesou bastante no âmbito geral”, afirma.

Minas Gerais

“Minas Gerais teve um crescimento nos homicídios dolosos, não é o único indicador a crescer e que contou nas mortes violentas. Podemos destacar que houve crescimento da mortalidade da polícia em MG muito elevado, o segundo maior do país. Só perde para São Paulo. Historicamente, Minas não tem taxas de mortalidade da polícia tão grandes, como acontece em SP e RJ, por exemplo, diz Samira Bueno.

Ceará

“O crescimento se deve, principalmente à guerra de facções que está instalada. A gente tem três municípios do Estado que aparecem entre os mais letais do país e há disputas muito claras entre facções locais e facções ligadas ao comando vermelho”, argumenta a especialista.

Maranhão

“Cresce um pouco a morte da intervenção policial, mas não é isso que foi preponderante. A gente está falando realmente de um aumento dos outros índices, mas há a maior suspeita de que também tenha a ver com os conflitos entre criminosos, que é algo que o estado passou a sofrer muito recentemente e é um cenário vivido por outros estados vizinhos”, afirma a diretora do FBSP.

Por Arthur Stabile — São Paulo

G1

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